12/02/2010
CUT antecipa que vai combater a velha cantilena de aumentar os juros e reduzir o investimento com servidores públicos e a reconstrução do Estado.
Nem
a crise que abalou os Estados Unidos e Europa e que se alastrou pelo mundo, com
impactos diferenciados entre países e regiões, faz com que os defensores das
políticas neoliberais desistam de atacar as conquistas do processo brasileiro
de retomada do Estado como indutor do crescimento.
Há
duas notícias que vem ganhando espaço em parte da imprensa, esta que em grande
parte é sustentada por esses sanguessugas do mercado. A primeira dessas notícias
é a velha cantilena de que é preciso aumentar os juros para controlar a inflação,
como se nós estivéssemos vivendo uma conjuntura de inflação de demanda - o
que evidentemente não é o caso - e de que o único instrumento de política
macroeconômica para coibir o suposto aumento da inflação seria a elevação
da taxa básica de juros.
Devemos lembrar que
as previsões do próprio Banco Central e até mesmo dos consultores de mercado
para a inflação 2010 são de que ela deve ficar dentro da margem prevista pela
meta oficial. Outro detalhe importante é que se há algum tipo de pressão
inflacionária, isso se dá por intermédio dos preços não controlados, como
planos de saúde, mensalidades escolares e tarifas de transporte público, o que
mostra, isso sim, a necessidade de estabelecermos mecanismos para coibir a ganância
dos empresários pelo lucro fácil e rápido.
Além disso, o que
as aves de rapina do mercado querem mesmo é lucrar com o aumento da dívida pública.
Não podemos esquecer que os títulos dessa dívida pertencem a apenas 0,04% das
famílias brasileiras. Cada aumento da taxa básica de juros eleva a remuneração
desses títulos.
A
outra cantilena que quer voltar ao noticiário é a velha e cansada, irresponsável,
campanha que vem sendo realizada por jornais e a revista Veja, que querem a redução
dos investimentos na reconstrução do Estado brasileiro, que foi destruído ao
longo dos anos 1990. Frases como "aumento absurdo de gastos com
servidores", ou "inchaço da máquina" contrastam com qualquer análise
séria e responsável de quem defende o papel do Estado como indutor do
desenvolvimento. O número de servidores por habitante no Brasil está abaixo
dos países que compõem o G-20 - atenção para o detalhe de que o G-20 é um
bastião do capitalismo - e também não acompanhou o crescimento demográfico
do País nos últimos 30 anos. Temos um longo caminho a percorrer para a necessária
construção do Estado e do serviço público que os neoliberais destruíram.
E aqui vai um alerta
a alguns integrantes do governo Lula que teimam em querer aprovar um projeto que
limita os investimentos públicos com a folha de pagamento dos servidores, na
intenção de sinalizar ao mercado que há preocupação com responsabilidade
fiscal. Exigimos é responsabilidade social.
Artur Henrique, presidente nacional da CUT, e Pedro Armengol, da Coordenação dos Trabalhadores Públicos da CUT